HISTÓRIA DOS VIDRADOS CRISTALINOS
Os primeiros exemplos de vidrados cristalinos foram descobertos por acidente no final do século 19 quando dois químicos, Charles Lauth e George Dutailly da cerâmica de Sèvres, observaram que vidrados supersaturados com silicato de zinco poderiam desenvolver cristais. Sem uma compreensão clara do que tivera acontecido, alertaram químicos de outras empresas de cerâmica sobre a possibilidade de ocorrência destes contaminantes e reportaram como evitar estes “defeitos”. De certa forma intrigados, grandes indústrias de cerâmica começaram a compreender e a produzir vidrados cristalinos. Anos mais tarde, Sèvres também começou a produzi-los. Contudo, no início do século 20, a grande parte das indústrias de cerâmica que estavam a produzir vidrados cristalinos estavam a passar por problemas financeiros devido ao elevado custo inerente à individualidade das peças cristalinas, para além de ser uma técnica bastante imprevisível. Com o início da Primeira Guerra Mundial, a grande parte destas indústrias parou com a produção destes vidrados.
Foi apenas no final do século 20, quando foram desenvolvidos fornos automáticos e programáveis, que começaram a aparecer novamente vidrados cristalinos. Muitos cerâmicos estão agora a explorar o potencial da técnica de vidrados cristalinos, fazendo novas e incríveis descobertas.
COMO FAZER UM VIDRADO CRISTALINO
Os macro cristais são formados na etapa de arrefecimento durante o processo de cozedura e crescem a partir de pequenos núcleos que são produzidos quando o óxido de zinco e a sílica se fundem e se unem, formando o silicato de zinco. Os corantes mais utilizados são o ferro, manganês, rutilo, níquel, cobre e o cobalto, sendo que os menos comuns são a prata, ouro e urânio. Estes podem ser utilizados individualmente, alguns em quantidades minutas, ou em combinação de uns com os outros.
O processo de cozedura de um vidrado cristalino requer uma programação bastante complexa dividida em diferentes rampas de temperatura que permitem a formação de diferentes tipos de cristais. O forno é aquecido até aproximadamente 1280 °C e posteriormente é arrefecido e mantido a diferentes temperaturas durante um determinado período de forma a permitir a formação dos cristais. O tamanho dos cristais depende do tempo mantido a cada temperatura. Durante o processo de cozedura, e devido à fusão do vidro, este escorre pela peça. Assim, de modo a proteger o forno, é colocado um pedestal e um prato em cada peça. Posteriormente à cozedura, o pedestal é removido e o fundo das peças é alisado.
Cada composição e espessura do vidro, combinado com a programação ideal do forno, produz uma diversidade fantástica de vidrados cristalinos que consiste em diferentes cores e formas de cristais. Cada peça é única, com cristais distribuídos aleatoriamente, e portanto, impossível de ser replicada.
A técnica dos vidrados cristalinos, para além de ser exigir bastante dedicação, tem uma taxa de insucesso elevada, o que pode ser frustrante e dispendioso. Mesmo nos dias de hoje, muitos cerâmicos não querem ter de lidar com as dificuldades que surgem de todo o processo de produção destes vidros.
O Francisco desenvolveu um interesse particular em vidrados cristalinos, estando constantemente a desenvolver novos e extraordinários tipos de vidros. Ao mesmo tempo, enfrenta os desafios e a complexidade que toda esta técnica apresenta.
